Liguei o rádio ao acordar, mas hoje minha música tocou mais alto. E eu toquei incontáveis vezes no mesmo nome – o seu.
Minhas palavras continuam muitas, continuam tortas, continuam precipitadas. Mas hoje, especialmente hoje, eu insisto em canta-las. Canto porque você anda colocando melodia nas minhas poesias, sendo que muitas delas eu ainda nem escrevi. Meu ritmo não é mais o mesmo, nem quero que seja. Vou assumir que prometo cantar o que você tocar, prometo assinar embaixo de cada nota que você insistir corrigir. Eu sei, eu não sou assim. Vou bater o pé, falar que sei mais de mim do que você e pedir para que nunca mais ouse rabiscar o meu caderno. Mas no fim, vou seguir seu tom. Vou acompanhar você nos altos e baixos, e guitarras, e baterias, e vocais. Vou desafinar, vou aplaudir na hora errada, mas vou – em todas as suas desaparições – esperar pelo bis. Esperar você voltar para terminar o que começou, e depois para começar de novo e de novo o que não pode acabar nunca. Vou ouvir as letras e desejar, todos os dias, ter escrito todas elas com minhas próprias mãos. E, falando em mãos, vou te dar a minha. Uma só, porque não posso conviver com a idéia de não poder ser aquela de braços estirados na primeira fila.
I gave you my sad song. You are making it better.