Encore

11 Jan

Liguei o rádio ao acordar, mas hoje minha música tocou mais alto. E eu toquei incontáveis vezes no mesmo nome – o seu.

Minhas palavras continuam muitas, continuam tortas, continuam precipitadas. Mas hoje, especialmente hoje, eu insisto em canta-las. Canto porque você anda colocando melodia nas minhas poesias, sendo que muitas delas eu ainda nem escrevi. Meu ritmo não é mais o mesmo, nem quero que seja. Vou assumir que prometo cantar o que você tocar, prometo assinar embaixo de cada nota que você insistir corrigir. Eu sei, eu não sou assim. Vou bater o pé, falar que sei mais de mim do que você e pedir para que nunca mais ouse rabiscar o meu caderno. Mas no fim, vou seguir seu tom. Vou acompanhar você nos altos e baixos, e guitarras, e baterias, e vocais. Vou desafinar, vou aplaudir na hora errada, mas vou – em todas as suas desaparições – esperar pelo bis. Esperar você voltar para terminar o que começou, e depois para começar de novo e de novo o que não pode acabar nunca. Vou ouvir as letras e desejar, todos os dias, ter escrito todas elas com minhas próprias mãos. E, falando em mãos, vou te dar a minha. Uma só, porque não posso conviver com a idéia de não poder ser aquela de braços estirados na primeira fila.

I gave you my sad song. You are making it better.

Um esquema tático

10 Nov

Meus caros,

Não se joguem na área. 

Cair na área não é pênalti. Cair na área é uma tentativa de.

Vocês estão me entendendo?

Ninguém nunca precisou de um pênalti pra correr pro abraço.

Sobre entrelinhas e ilusão de ótica

6 Nov

São 23:25.

São tantas as formas de ouvir. O brilho no olhar enquanto a boca não sustenta as palavras, o punho cerrado quando o nó na garganta é demais, os pés balançando no ritmo do relógio que não sai do lugar.

Deixo aqui explícito meu um minuto de silêncio, por todas as vezes que falei demais. Um minuto, por todo o silêncio que eu já sacrifiquei, perdendo a oportunidade de falar muita coisa, mas de um jeito diferente.

São 23:26.

50 GB livre(s) de 100 GB

15 Out

Ela era pequena. Calçar o salto alto nos finais de semana não enganava ninguém, nem era essa a intenção. Muito pelo contrário, se pudesse seria sempre a menor do lugar. Cansou de ouvir sobre as grandes mulheres do século, sobre aquelas que fizeram história. Ela não queria fazer história, a não ser a sua; mas se contentaria se esta fosse só uma réplica dos contos de fada que lera quando criança. Não era preciso criar, só encontrar a pessoa certa para encenar aquele roteiro de sucesso. Cansou de ver estampadas nas capas dos livros modernos “Como se tornar uma grande mulher”. Ela não quer se tornar nada, quer apenas que gostem dela assim, pequena. Já lhe disseram que grandes mulheres podem ser pequenas, mas o caso era que essa pequena não queria ser grande. Queria alguém que fosse maior que ela, que lhe servisse de morada, de abrigo, de fortaleza. Todo mundo nasce completo, mas aos poucos começam a faltar os pedaços. Eles faltam porque a vida mostra que existem coisas que você não tem, e aí você quer ter, então busca incansavelmente… Hoje, incompleta, não quer saber de nada que seja menor do que ela. Não basta se preencher, é preciso transbordar. Só assim então substituir os doces que a vida insistiu em colocar na sua boca, e depois tirar.

No final de tudo, o mais importante é que tudo aquilo caiba em tão pouco espaço, ou que todo esse espaço se contente com aquilo.

Passam-se os dias e nada passa…

17 Abr

…Enquanto o mundo muda, emudeço.

Sobre não ter o que falar

6 Mar

Alguém precisa explicar para o mundo que nem só de palavras são feitas as escritas. O silêncio está gritando.

Normalmente minha falta de inspiração é insversamente proporcional às minhas frustrações.

“E que, por mais incrível que pareça, todos têm o direito de partir”

26 Dez

Enquanto isso eu, aportada, espero por um sinal no horizonte; o mesmo horizonte que engoliu minhas esperanças meses atrás. Espero, pois é só o que sei fazer. Não pretendo pular no mar e sair à procura de uma terra que não é a minha. Nadar quilometros apenas para unir realidades não está nos meus planos. Quem sabe, um dia, o céu não resolva chover meus sonhos. Quem sabe do outro lado alguém esteja preparando suas malas com roupas de banho e protetor solar para vir passar as férias por aqui. Aqui, onde sabemos que o sol vai brilhar. É difícil olhar as nuvens e não pensar no desperdício do céu azul daquela estação. Mas assim como a capa da minha agenda, nós também mudamos. Hoje você é o amigo do amigo…e eu, bom, eu sou quase a mesma. Continuo a “entro-no-jogo-para-ganhar”, a “não-sei-brincar-de-viver”.

Apesar das oscilações, trago comigo algumas certezas: existem vários portos, mas de nada adianta partir sem levar a âncora.